Agitava os galhos, levantava folhas enquanto passava e fazia bagunça, o vento brincava pelos quintais de casas que não tinha sido convidado, para logo depois correr por seus jardins.
Num desses jardins passou pela rosa, tocou-a, como fazia com todas as outras plantas, mas notou a sombra, dançando intocável aos pés da flor vermelha, lançando-se de um lado ao outro, em ritmo com a rosa que se agitava ao vento. Este, porém, não conseguia tocar a forma escura que lhe encantava. Transformou-se em brisa, e em tormenta, mas nada adiantou, então parou. Não tinha mais ânimo para dançar ou brincar, e ali ficou.
O resto do dia se esvaiu e, ao fim da tarde, notou que sua amada o deixava, junto ao dia. Girou, subiu e desceu, tentando de todas as formas conseguir uma dança apenas com a sombra mas, a cada gesto que fazia, mais distantes ficavam, até que notou que o local onde estivera sua paixão estava vazio, sem a forma que tanto o atraiu. Virou-se e, em seu pranto e desespero, sentiu algo às costas.
A noite o abraçava e correu mais uma vez pelos jardins e casas, lançando folhas para o alto e perturbando as árvores, após notar que tudo ao seu redor era sombra.

7 comentários
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14/02/2009 às 6:41 pm
Bruna Barros
adorei Ney, de verdade.
muito bom, vou ficar acompanhando.
;*
14/02/2009 às 7:08 pm
Thamy Ramos
que medo.
achei q ia ter final feliz, com uma lua cheia e a sombra da rosa lá de novo, mas nah, ‘tudo ao seu redor era sombra’ ._.
coitada
14/02/2009 às 7:46 pm
PenDRaGoN
mas…
ele estava NA sombra… todo que ele queria. =)
14/02/2009 às 7:49 pm
PenDRaGoN
As portas da casa estarão sempre abertas.
15/02/2009 às 5:39 pm
Clara Percílio
Adorei o texto…
^^
muito muito bom!!
e super bem escrito!!
=D
=*
18/02/2009 às 8:45 pm
PenDRaGoN
Valeu Clarinha ^_^
22/02/2009 às 2:39 am
Manuela
Adorei… ficarei acompanhando!!! ^_^