Agitava os galhos, levantava folhas enquanto passava e fazia bagunça, o vento brincava pelos quintais de casas que não tinha sido convidado, para logo depois correr por seus jardins.

Num desses jardins passou pela rosa, tocou-a, como fazia com todas as outras plantas, mas notou a sombra, dançando intocável aos pés da flor vermelha, lançando-se de um lado ao outro, em ritmo com a rosa que se agitava ao vento. Este, porém, não conseguia tocar a forma escura que lhe encantava. Transformou-se em brisa, e em tormenta, mas nada adiantou, então parou. Não tinha mais ânimo para dançar ou brincar, e ali ficou.

O resto do dia se esvaiu e, ao fim da tarde, notou que sua amada o deixava, junto ao dia. Girou, subiu e desceu, tentando de todas as formas conseguir uma dança apenas com a sombra mas, a cada gesto que fazia, mais distantes ficavam, até que notou que o local onde estivera sua paixão estava vazio, sem a forma que tanto o atraiu. Virou-se e, em seu pranto e desespero, sentiu algo às costas.

A noite o abraçava e correu mais uma vez pelos jardins e casas, lançando folhas para o alto e perturbando as árvores, após notar que tudo ao seu redor era sombra.

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