You are currently browsing the category archive for the ‘Uncategorized’ category.

vermelhoFecho os olhos e vejo tua pele branca, sinto seu toque suave ao acordar e suas mãos rasgando minha pele ao dormir em um mundo que não é mais meu.

Abro os olhos e meus pés continuam marchando, cortando o reino de Rá. Um lençol infinito foi deitado sob nossos coturnos, e nós o manchamos de sangue.

O sangue, tão vermelho quanto teus lábios, tão quente quanto nosso quarto escorre viscoso de minhas mãos, sinto a vida de outros homens agarrarem-se à minha pele e cada gota que cai me leva a você.

Estavas lá quando cerrei o primeiro par de olhos, empurraste minhas mãos quando enterrei a baioneta no segundo, senti teu braço no toque frio do fuzil quando semeei os corpos com chumbo.

Fecho os olhos e marcho com o único propósito de voltar a ter sobre o travesseiro sua pele colada à minha, sem saber que teu corpo não é mais meu.

——————————————————

Alguém aí sabe como coloco parágrafos aqui? Sempre que faço alguma alteração no post, perco a formatação toda.

Sobre a história em si, não tenho muito o que falar, só que quando via a imagem, achei que a mancha vermelha na mulher parecia muito com sangue e comecei a ter a idéia do texto. espero que tenham gostado e peço perdões por qualquer erro, essas linhas foram feitas com uma certa pressa.

O tamanho se deve ao começo do carnaval… começam as festas e vocês sabem como é, Momo exige a presença de todos nós que gostamos de seu reinado. E vocês, vão ficar em casa ou preferem levar confete e serpentinha na cara?

Anúncios

Olhou para a paisagem à sua frente e viu o mundo, sentiu o vento que vinha do vale abaixo e o cascalho sob os sapatos. Imaginou todas as coisas que ainda poderia conquistar e notou, com um sorriso, que já havia alcançado tudo que queria.

Sempre foi um homem obstinado, ainda criança descobriu o que queria fazer para o resto de sua vida e, logo após a constatação, pediu um violão, pediu um violão emprestado. Começou a tocar imediatamente.

Fez faculdade de música, não que precisasse, já tinha tido aulas particulares, tocou em várias bandas, chegando a ter relativo sucesso em uma delas, chamando a atenção de alguns produtores.

Gravou discos, fez carreira solo, teve filhos e uma esposa. Teve uma vida feliz.

Ligou o amplificador no carro, plugou a guitarra, um modelo estranho, com uma cor pouco comum e tocou duas músicas, uma dos Beatles e outra de Pink Floyd. O som se espalhou pela vastidão e, com a música, ele viajou. Lembrou os sonhos de infância, as mulheres que teve, os amigos que o acompanharam, todos aqueles pequenos momento que nos fazem ter a vida, propriamente dita, não apenas uma sucessão de eventos ordinários.

Viu, como se tivessem ocorridos há alguns minutos antes, seu primeiro dia de aula, o dia que brigou com o melhor amigo e, logo depois, fizeram as pazes, o mesmo amigo que, muitos anos depois, despediu-se e viajou, nunca mais sendo visto.

A primeira vez que viu sua primeira namorada, o primeiro beijo e a primeira vez que chorou por uma mulher que o deixava.

Sentiu, como se tivesse naquele momento acariciando as curvas das mulheres com as quais deitou, o gosto de cada uma, olhou mais uma vez para elas e sentiu a dor nos olhos de algumas quando sabiam que aqueles braços não dariam mais o abraço que tinham se acostumado, que aqueles braços tinham esgotado os afagos para cada uma e nunca mais o veriam.

Tocou o último MI naquela guitarra, a primeira, e achou algo de poético em levá-la para o lugar que foi, por muitos anos, seu paraíso. Sua primeira fazenda, que comprou com o dinheiro do primeiro disco, gravado com aquela mesma guitarra.

Aquele disco era uma união de músicas estranhas, pensou, mas combinava com o instrumento que tinha nas mãos, e o público gostou, a gravadora mais ainda.

Teve muitas posses e muitas pessoas o serviram, agora havia dispensado todos, inclusive o motorista que dirigiu quase todos os carros de sua coleção, tinha sido seu empregado por 21 anos. Costumava dizer que esse era o tempo de uma vida.

Levantou e sorriu, tirou as pulseiras, os anéis e se despiu. Dobrou as roupas e colocou uma pedra em cima, para que não voassem.

Caminhou em direção à encosta, abriu os braços e deu seu último passo, notou que tinha tudo que sempre quis, não havia mais nada a ser conquistado, viu a vida completa que teve e voou, sentiu o vento nos cabelos longos.

Morreu de braços abertos, com todas as batalhas ganhas, com todas as conquistas feitas.
Foi feliz.

—————————————————————————————————

Olá a todos que lêem esse blog, de agora em diante, após os contos, vou colocar um comentário sobre o que me levou a escrevê-lo e o processo que o trouxe à vida.

Vôo surgiu há +- 3 meses, numa aula, não me perguntem por que, apenas me veio à mente uma pessoa caindo de um abismo e sorrindo. Achei a idéia interessante e a desenhei (porcamente, admito). Depois de algum tempo, comecei a me perguntar os motivos que levariam uma pessoa a cair como aquele corpo caía em minha mente e a idéia foi surgindo.

No dia que comecei a rascunhar as primeiras letras, estava com duas músicas se repetindo sem parar na minha cabeça, uma era “While my Guitar Gently Weeps” dos Beatles, e só a parte que ele fala

“I look at the world and I notice it’s turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps”

Parecia que nunca mais sairia e me deixaria insano, creio que era ela pedindo pra ser colocada num papel e, na primeira oportunidade ela foi parar na folha branca à minha frente. Pensei até em colocar o nome da música, afinal.. era uma guitarra, o cara ia se matar, a guitarra estava chorando, gostei disso, mas a outra música era “The Great Gig In The Sky” , música maravilhosa do Pink Floyd, entretanto o que mais chama a atenção nela é a voz da cantora e nem guitarra tem, por isso não coloquei os nomes.

Bem, por enquanto é só. Esperem até sexta, que tem um conto em duas partes bem interessante.

Agitava os galhos, levantava folhas enquanto passava e fazia bagunça, o vento brincava pelos quintais de casas que não tinha sido convidado, para logo depois correr por seus jardins.

Num desses jardins passou pela rosa, tocou-a, como fazia com todas as outras plantas, mas notou a sombra, dançando intocável aos pés da flor vermelha, lançando-se de um lado ao outro, em ritmo com a rosa que se agitava ao vento. Este, porém, não conseguia tocar a forma escura que lhe encantava. Transformou-se em brisa, e em tormenta, mas nada adiantou, então parou. Não tinha mais ânimo para dançar ou brincar, e ali ficou.

O resto do dia se esvaiu e, ao fim da tarde, notou que sua amada o deixava, junto ao dia. Girou, subiu e desceu, tentando de todas as formas conseguir uma dança apenas com a sombra mas, a cada gesto que fazia, mais distantes ficavam, até que notou que o local onde estivera sua paixão estava vazio, sem a forma que tanto o atraiu. Virou-se e, em seu pranto e desespero, sentiu algo às costas.

A noite o abraçava e correu mais uma vez pelos jardins e casas, lançando folhas para o alto e perturbando as árvores, após notar que tudo ao seu redor era sombra.